- Telma Palma
- Às vezes a imaginação falha, o sorriso esconde-se, as ideias ficam com ressaca e a vontade esgota-se. Depois, é preciso deixar que o pensamento esboce a dureza das palavras expostas. É ser sem parecer, e escrever mesmo sem crer.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
180. Gosto de ti
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
179. Vergonha
Telma Palma
sábado, 15 de outubro de 2011
178. "Solta a Franga"

Tenho tropeçado nas letras, saltado parágrafos, dado erros impensáveis, traçado rectas impossíveis e cabulado vivências passadas.
Têm-me faltado palavras cujo reportório é indispensável, a vontade de conversar tem-se sobreposta a qualquer outra mas, mesmo assim continuo a querer pertencer apenas à conjugação simples do verbo eu.
Há muitas coisas que apetece-me fazer, muitas coisas que se devem fazer a correr e outras bem devagar, mas o tempo não estica e, em outras ocasiões, nem sequer encolhe.
Há muitas coisas que não devem ser ensaiadas, muitas que deviam ficar como estão e outras que devíamos ordenar por classes.
Tenho deixado que as letras escorram para o papel, que borrem a folha e que sejam alvo de crítica social. Não podemos agradar a todas as criaturas que nos visitam por inúmeras razões catatónicas.
Tudo é a correr, a vida não pára, os outros não param, nós não paramos.
Em tempos, desejara que tudo fosse muito depressa e, agora que o tempo correu contra nós, queremos que estabilize ou que recuo. Não consigo deixar de pensar naquilo que podia ter mudado para melhor ou para pior.
Ao repetir sempre a mesma palavra é fácil de definir qual a sílaba tónica que predomina nela, repeti-la só nos fará tomar consciência que há algo a mudar.
Transtorna-me ao saber que é preciso mudar a caligrafia, a forma como se escreve e como sempre aprendi. Se é assim, e não custa quase nada, sem ser um pouco de paciência e atenção, gostava de pensar ou talvez de acreditar que as pessoas também podiam por o seu rótulo de vaca de lado e viver uma passagem sã e tranquilo tal como alguns conseguem fazer.
Se não, é preciso que alguém vos domestique rapidamente.
Não queria deixar de acentuar que começo a ter sérios problemas de controlo, a língua tem-se expandido além fronteiras, deixando um pequeno e suave rasto de migalhas de pão, para que possa encontrar o início da aventura.
É isso, aventura! Ando a arriscar demasiado a pele em certos apertos que surgem em circunstância deveras fechadas em quatro paredes. Em alturas demasiado oportunas e que me fazem elevar todo o sangue à cabeça.
Depois disso, será sim a descarga de energia que tenho acumulada a algum tempo mas que por sorte ou azar de alguém ainda não se dissipou para a vossa freguesia.
“Solta a franga”, já faltou mais.
Telma Palma
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
177.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
176.
domingo, 9 de outubro de 2011
175. Exercer
Chegas, sentas-te e enquanto lês a revista do costume, pedes um chá.
Não estás minimamente importada com o que te rodeia, o teu pensamento anda por outras freguesias e a tua atenção concentra-se em memórias passadas que o tempo não trás mais.
Tu sabes que o Mundo não gira à tua volta, mas em vez de dissipares esses pensamentos negativos que te leva a agir em função das palavras esboçadas nas redes sociais, continuas a levá-las demasiado a peito e a querer sempre solução para tudo.
Há quem sinta a tua presença, que se aproxime e que se sente ao teu lado. Aí apercebes-te que afinal não estás sozinha e que, ao fim ao cabo, sabes que podes partilhar esses pensamentos mais indiscretos com alguém.
Embora te sintas perdida, há sempre alguém que vai estar ao teu lado incondicionalmente.
O chá chegou, olhas para a pessoa e sorris.
Sabes que o mundo não pára, mesmo que não o sintas mexer. Mas, sentes e vês que as coisas ainda flutuam junto ao Lumiar, que quando o sol nasce é para todos e que as ondas vão andar sempre no seu vaivém constante.
Há, haverá ou houve o dia em que foste tu próprio a parar, a travar as coisas, a perder o que de bom a vida nos dá, já pensaste se tudo vele a pena, se construir é o mais importante ou se, afinal apenas se gasta tempo desnecessário connosco.
Já reflectiste vezes e vezes sem conta sobre as mais ínfimas coisas, já te rebaixaste e ficas-te calada apenas porque o outro estava feliz e, já te resignaste a abandonar o teu posto porque alguém o ocupou.
Eu acredito que existe um propósito que nos faz exercer cargos superiores, dependendo da forma como encaramos a vida mas, embora essa seja uma das minhas convicções, existe sempre uma parte de mim que prefere esperar sentada, sem que haja dor, mágoa, medo, desespero, insegurança, …
Há uma parte de mim que me deixa sempre aquém e que me faz levar tudo em função da razão.
Ninguém muda porque quer.
Os factores internos e externos não facilitam. Batem na consciência, trocem o nariz, fazem birra, e fazem com que coloquemos a mão na consciência (e ainda bem que sim). É pena, apenas acontecer em circunstâncias extremas, quando batemos mil e uma vezes com a cabeça na parede e vemos que estamos a errar connosco mesmo.
Eu não mudei por vontade própria, mas porque me fizeram tornar numa pior pessoa.
O tal interesse comum que nos faz derrubar, passou a ser conjugado em tempos ainda desconhecidos.
O erro, esse sim designado como tenebroso e arrogante, começou por chegar sempre de mãos dadas com o desprezo, arrogância e rancor.
Começa a ter cuidado com as palavras se não queres estragar a caligrafia com corrector.
Percebe, sê sincera contigo mesma, quando falares acredita mesmo naquilo que estás a dizer mas, põe a mão na consciência e deixa de meter as culpas em cima dos outros.
Ninguém tem culpa das tuas frustrações indesejáveis e memoriza que ninguém te deixou sozinha, foste tu que afastas-te as pessoas.
Às vezes, basta exercer o acto de resignar/aceitar e compreender do que ter os olhos encalhados apenas com o nosso umbigo. Quando se gosta, preserva-se.
Ficou tarde, a noite já vai por ela dentro.
Depois de uma longa conversa, o chá arrefeceu, ficou frio.
Estás na hora de fechar o estabelecimento, de encerrar a conversa e de ir para casa.
Telma Palma
sábado, 1 de outubro de 2011
174. Alivia

quarta-feira, 28 de setembro de 2011
173. Encontrei-te
Encontrei-te por ali, muito fora de horas, cedo demais para uma noite longa (...) Sentei-me no único banco disponível, ao teu lado, e por ali fiquei largas horas a olhar para o Mundo.Tu não falavas, ou mal falavas, eu ria, ria, ria de nervoso miudinho e por ali ficamos largos tempos, sentadas no mesmo sítio a conversar. (...)
O tempo contigo nunca contava.
Nunca sentia que ele corria contra nós.
Para mim, funcionava como um reforço positivo, que me animava sempre e que me fazia sentir viva. Eu vivi para ti.
Sentia sempre um rol de liberdade que me sacudia o coração e que me deixava apta a uma nova dose e cumplicidade contigo.
Sempre ali, naquele banco claro, no jardim com cheiro a rosas brancas, bem junto ao Lumiar da vida.
Havia muitas coisas que gostava de contar-te, para que pudesses compreender como tudo funciona, como este ciclo vicioso nos penetra constantemente.
Se fosse dar, na mesma medida que recebo, duvido que tudo voltasse e que continuasse igual, até porque todos os dias mudamos, até porque já mudamos. Não porque me fizeram isso toda a vida, mas porque preciso fazer por mim.
Quando criares essa selecção de sentimentos, sugere a ti própria uma decisão permanente e concreta, que te faça feliz! Já quase que me esqueci que já me deixas-te muitas vezes triste e que tu, tu já não estás aqui comigo.
Às vezes, é preciso acreditar que tudo está normal para que fique mesmo e sabes, aprendi a aceitar que tu, vais estar sempre na minha vida, mesmo que mal nos vejamos e que a vida nos complique tudo.
Ninguém preenche o vazio que deixas-te, a falta que me fazes, o que tu eras para mim e que apesar de tudo continuas a ser incondicionalmente. Ninguém preenche a cumplicidade que tinha-mos e o esforço que fazíamos para não magoar uma à outra.
Gostava muito de poder ver-te todos os dias e de voltar a sentar-me contigo no banco de sempre. Continua a sorrir para mim.
Acredita que continuas acima de muitos factores, dentro do meu interior e que vens sempre no tempo certo.
(...) Chegou o inverno, o mau tempo, o frio que nos queima os lábios, que nos faz chorar (não de tristeza mas de alegria porque finalmente chegou), que nos faz tremer mesmo antes do frio começar a penetrar-nos bruscamente. O céu ficou cinzento, as nuvens carrancudas e finalmente choveu.
Olhámos seriamente uma para a outra e desatamos a rir como se nada fosse. Tínhamos o cabelo molhado, a roupa encharcadas e tudo o resto destruído, menos nós! Nós continuávamos no mesmo sítio. Perto uma da outra.