- Telma Palma
- Às vezes a imaginação falha, o sorriso esconde-se, as ideias ficam com ressaca e a vontade esgota-se. Depois, é preciso deixar que o pensamento esboce a dureza das palavras expostas. É ser sem parecer, e escrever mesmo sem crer.
domingo, 31 de outubro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
80. Fracassos
Mal ou bem, as coisas acabam sempre por acontecer, o que nem sempre lhes conseguimos atribuir um exacto significado.
É constante a perda de sentimentos felizes e aventureiros. Muitas vezes não me revejo em mim.
Não sou aquilo que pintam, não me armo por ter boas notas, não me acho superior a ninguém, não falo mal nas costas, …
Eu também choro, por muitas coisas que podem até não fazer sentido, pelo que ouço, pelo que me dizem, pelo que me confrontam…
Chego a pensar que sou a pior pessoa do Mundo e a mais egoísta por querer tanto uma coisa que nunca mais chega. O meu coração morre a cada segunda que passa e eu, aqui … não o consigo ajudar, por mais que assim o deseje.
Fracasso a cada segundo que passa.
Fracasso por tanta coisa que sozinha construi.
Fracasso por me deixar ir a baixo e por afastar aqueles que mais se preocupam comigo.
Sofro todos dos dias, choro todos os dias. Contudo não deixo de viver nem de me levantar sempre que a queda é grande.
As desilusões têm sido a coisa mais certa, falta-me aprender a lidar com elas.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
67. Avó
Agora que comemoras mais um ano da tua "curtíssima" vida, gostava de poder escrever mil e uma palavras, iguais ao meu pensamento neste instante.
Hoje, quando olho para cada uma das velhotas fotografias que encontro lembro-me muito vagamente de cada palavra que muito me dizias, das mais antigas e maravilhosas recordações, do teu sorriso, do cheiro do teu maravilhoso cacau, que se eu pudesse voltava atrás só para os repetir duas vezes.
Gostava de poder até estar sempre presente, ou sentir como tu as coisas. Como tu dizes “No fim, o mundo não importa nada.”
Sentir que te faço falta é gratificante.
Sabes? Ainda hoje quando me sento ao teu lado naquele sofá que eu detesto, gosto de ouvir as tuas histórias, tal e qual como fazias-me em pequena. Sempre gostei de saber como eram as coisas no “antigamente”, quando eras da minha idade.
Sempre que me olhavas, e ainda hoje me olhas com os teus olhos arrebitados, eu já sei que tens uma nova história para contar-me ou então que estás feliz por me ver. Tal como esta “ Eras tu ainda muito pequenina, e já andavas enrolada em brigas e discussões, sempre tão atarefada com os teus negócios e problemas no jardim-de-infância e mesmo assim resolvias tudo sozinha, sem contar com a ajuda de ninguém. Dava-me e ainda me dá imensa piada quando ouço contar a tua vida de criança Telma, ora mal de alguém que se metesse com a Mónica, notavas logo.
Coitada da criança que tivesse esse azar, a qualquer um batias e mantinhas sempre a postura forte e arrebatadora (Sempre foste uma menina rebelde e ainda o és, cada vez mais). Só sei que se um dia encontrasses esses tais que a maltratavam, quando o apanhavas a preceito, trás!
No dia em que a tua mãe nos contou isto, reparei que te estavas a tornar numa menina madura e independente”.
Ou então quando, “eu te encontrava com o nariz enfiada nas minhas gavetas e me dizias que te divertias mexer em tudo o que era e é meu”, ou até mesmo quando tinha vontade de mais qualquer coisa, levantava-me sozinha da cama muito sorrateira. Lembras-te? Dizias sempre “ Que mulher forte que eu estou a criar”.
Dizias-me sempre tudo com um sorriso nos lábios, e nunca te zangaste comigo por eu ser “diferente”.
O tempo passou, é verdade avó, eu cresci e tu envelheceste tão depressa. Como acontece com toda a gente, é óbvio. Não me importava de voltar a ter novamente 3 anos para puder ficar o dia todo contigo outra vez, ou voltar a fazer todas as nossas caminhadas até á mercearia mais próxima. Sabes, tenho saudades daquelas pastilhas que só tu sabes onde existem.
Eu voltava, só para ouvir as tuas histórias outra vez, só para ter a certeza que mais 18 anos ao teu lado não me tiravam de certeza. É impossível não ter saudades tuas naqueles dias em que nem te meto a vista em cima. O teu cheiro a velhota faz-me recordar de tanta coisa!
És um grande Mulher! Os teus 81 anos comparados com os meus 18 não são nada! A minha idade sim, é que já pesa. Ou pensas que viver tanto tempo ao teu lado e perto de ti, é fácil?
Só agora tive tempo de escrever alguma coisa dedicada a ti, hoje comemoras mais um ano de existência no meio de tantos outros já passados.
Mais uma vez, Parabéns avó!
Telma
domingo, 17 de outubro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
57. Abrir uma e fechar Outra
Sentei-me, como já se tornou habitual, na primeira fila daquela gélida sala de aula.
A corrente que fazia, era forte.
Pedi permissão ao professor de Psicopatologia Geral, para fechar a janela, acenou-me então com a cabeça e com uma voz calma a autorizar-me, fechei-a.
No meio da barafunda, ninguém repara em mim enquanto realizo aquele percurso.
Voltam a abri-la e a criticar numa voz baixa e arrogante quem a fechou. No fundo sabiam que tinha sido eu.
Não fui capaz de argumentar, fiquei ali ... imóvel, sem qualquer reacção á espera de alguma palavra vinda do Professor. Acabaram por fechar uma, abrir outra, o que fez com que incomoda-se Professor. Voltaram a abrir a que me incomodava.

Torna-se complicado tentar explicar o motivo.
Naquele momento, não queria pensar que estava ali e que ainda tinha pela frente dois anos em comum com aquela turma, com aquelas pessoas.
Tudo o que até hoje tinha aguentado sem abrir a boca, reflectiu-se nos meus olhos em frente àquele professor.
Pediu-me para o acompanhar até fora da sala, não quis, insistiu, acabei por sair.
Falamos um pouco, confrontei-o com algumas situações em relação a ele, pediu-me perdão, aceitei...
No meio de tudo, ele entendeu que aquele sofrimento não seria apenas por uma simples janela aberta ou fechada, soube logo e disse-me que aquele não era apenas o meu motivo.
Olhei-o várias vezes nos olhos, a seu pedido.
"Obrigou-me" a ouvir algumas coisas, e naquelas circunstâncias eu teria que aceitar estar ali.
Tive uma súbita dificuldade em parar de chorar ... ouvi até ao fim.
"A Telma é a pessoa mais frontal aqui dentro desta turma, a melhor aluna, e é reconhecida por todos os professores bem como pela direcção da escola, não é em vão estar no quadro de mérito.
Eu sei que não é apenas a janela aberta que a fez ficar assim, o que a Telma tem hoje, é o mesmo que tinha naquele dia na cantina e em todos os outros dias que eu a vejo em baixo, triste, angustiada. Se quiser, passe pelo gabinete e fale comigo, terei todo o gosto em poder ouvi-la, ajuda-la e sabe que tudo o que dirá lá será sigilo. Tenho muita consideração por si, é a aluna mais empenha e com maior valor para mim. Tem uns lindos olhos, não a quero ver chorar."
Sorri.
Entrei novamente na sala e esqueci-me que eu própria era a Telma de todos os dias.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
55. Gosto muito de ti !

Amanhã Faço,
Amanhã Digo,
Amanhã vou,
... Mas um dia não haverá amanhã, e todas as palavras e sentimentos ficam por dizer."
Desculpem o mau bocado, obrigado por sábado à noite e por me ouvires.