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Às vezes a imaginação falha, o sorriso esconde-se, as ideias ficam com ressaca e a vontade esgota-se. Depois, é preciso deixar que o pensamento esboce a dureza das palavras expostas. É ser sem parecer, e escrever mesmo sem crer.

sábado, 25 de dezembro de 2010

109. Sentes-me ?

Não tenhas medo.
Não te mexas.
Não fales.
Ninguém nos verá. Fica como estás. Quero olhar para ti. Temos a noite toda e eu quero olhar para ti.
O teu corpo, a tua pele, os teus lábios, fecha os olhos. Ninguém pode ver-nos, e eu estou aqui ao teu lado. Sentes-me ?
Quando eu te tocar pela primeira vez, será com os meus lábios. Sentirás o calor, mas não saberás onde. Talvez seja nos teus olhos. Comprimirei a minha boca nos teus olhos e sentirás o calor.
Abre os olhos agora.
Olha para mim. Os teus olhos no seio, os teus braços erguendo-me, deixando-me escorregar junto a ti. O meu grito tímido, o teu corpo fremente.
Não há fim.
Não compreendes?
Tu inclinarás eternamente a cabeça para trás, eu derramarei eternamente as minhas lágrimas.
Este momento tinha de existir.
Este momento existe.
E este momento continuará, até à eternidade.
Não nos voltaremos a ver. O que queríamos fazer, fizemos. Acredita, fizemo-lo para todo o sempre.


(Continua ...)

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Memórias do Meu Pensamento