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Às vezes a imaginação falha, o sorriso esconde-se, as ideias ficam com ressaca e a vontade esgota-se. Depois, é preciso deixar que o pensamento esboce a dureza das palavras expostas. É ser sem parecer, e escrever mesmo sem crer.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

315.

Quem disse que chorar resolve? Falar sim, torna-se numa virtude bem como, aprender a colocarmo-nos no lugar do outro e não ser egoísta.
O que não mata engorda, os erros são constantemente atirados como bombas para a terra e o ser humano explode quando assim o entende e sente. Às vezes é preciso mudar para não sairmos magoados - nem tudo é como achamos ou queremos e a vida não pára porque nós decidimos parar. 
Para qualquer escolha que façamos na vida é preciso acreditar nela e segui-la frequentemente, com vontade e força de espírito e de mente - quem faz uma escolha deve assumi-la e encará-la de frente.
Perdoar trás paz, saber perdoar é nobre. Esquecer nunca foi o meu forte, mas também nunca disse que seria impossível. No Mundo, nem todos podem ser simpáticos, queridos e atenciosos no entanto, podemos sempre tentá-lo ser para os outros... mesmo que, estes não o queiram. 
Quem nos merece não nos faz sorrir constantemente, faz-nos chorar pela mas ínfima coisa, cuida de nós e não nos dá motivos para dúvida dos seus sentimentos e intenções por nós. É, na verdade, o nosso passado, presente e futuro! Não é preciso perder para aprender a dar valor.
Aos poucos entendemos o que vale realmente apena, o que se deve mesmo guardar para o resto da vida e o que nunca deveria ter entrado nela. 
Às vezes não temos como entender o passado, o tempo será sempre a melhor solução mas, para que exista resultados é preciso investir nos projectos. 
Preocupo-me o tempo exacto e com a intensidade certa... nunca sei quando posso precisar do tal ombro amigo que tanto guardo junto ao coração. 


Telma Palma
12.07.2012
    
modificado:  13.02.2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

314. Estátua

Ao escreveres a história da tua vida, nunca deixes que ninguém tente segurar a tua caneta. Certifica-te que és tu que tens o control remoto e que és tu que decides quando fazer play ou gameover. 
Às vezes é preciso saber pegar na asa certa. Saber voar.
Deixar que a vida e que as pessoas nos prendam não nos faz querer seguir em frente. Irmãos, irmãs... por vezes dão dores de cabeça, mas isso não significa que não gostemos deles, mas sim... que nos sentimos "cheios" das suas vontades e desejos.
Qualquer coisa tem duas asas: a que nos permite que a levemos connosco e outra que intensifica-nos e não nos facilita. 
Se o teu irmão ou imã tem mau feitio, não lhe levas a mão à asa que se manifesta de modo errado. O que na verdade está a acontecer é manipulação. Por aí, será impossível a bom termo o nosso próprio propósito e se queremos que tudo seja levado na maior tranquilidade possível, o melhor e o objectivo é não ceder a qualquer manipulação e exigência.  
Toma antes pela asa que sentes ser mais correcta, pela mão que não se recusa à tua - e se te lembrares que ela(e) é tua(eu) imã(o), que viveu junto a ti, entenderás e verás que no fundo só tem ciumes de ti. 
Não te sintas culpado(a)... Na verdade e muitas vezes, nem saberás o motivo concreto de tanta ciumeira junta mas, deverás entender e não assumir culpas algumas do que de mal lhes corre na vida. 
Abre-te ao entendimento, pela amizade, pelo que vos une. 
Não vale apena converter em ódio todas as tempestades que ultrapassam de momento nem  que possam vir a passar. 
Embora eu acredite e afirme frequentemente que, cada vez mais sinto que - prefiro confessar-me, desabafar e conversar com uma estátua do que com uma figura de quadro do que deixar em branco qualquer conversa, qualquer sentimento.

Telma Palma

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

313.

Todos os dias tenho pegado na caneta de tinta permanente e riscado algumas folhas. Acabo depois, por amachuca-las e deita-las no lixo. Não tenho tido "tempo", não tenho tido a preocupação de parar para pensar e de fazer escolhas e decisões. Tenho passado imenso tempo a divagar o meu pensamento e a desejar que o tempo passe tão rápido quanto possa.
Ainda não medi forças com ele.
Ainda não deixei que ele tomasse conta de mim.
Tenho saudades de juntos não termos nada para fazer, a não ser estar um com o outro. Tenho saudades de ir mesmo, ver os aviões, de entrar em terrenos privados e de ficarmos sós debaixo da Lua. 
Tenho saudades das tuas mensagens a meio da noite, de manhã, de tarde e a toda a hora. Eu sei que só passaram 5 dias, mas já morro de saudades tuas.
Ainda não aprendi a viver sem o Meu Mundo, desculpa.
Ly.

Telma Palma


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

311. Escreve-me

Escreve-me quando o vento tiver desfolhado as árvores, quando as nuvens tiverem tapado o sol e quando a chupa salpicar-te as botas.
Alguns quiseram ir ao cinema, e eu quis ficar aqui - sozinha.
Tu, se não queres falar... então escreve-me.
Farás com que me sinta menos fraca, com que deixe de me preocupar com o Mundo... e com que sinta que nunca te esqueces de mim.
Mesmo que não tenhas nada em particular para me dizer, não precisas preocupar-te, eu saberei entender como sempre o fiz.
Para mim, basta saber que pensas em mim todos os minutos da tua vida, que a cada suspiro teu um olhar meu. Eu sempre soube ficar contente com uma mensagem, sorrisos, abraços e um simples beijo na testa... não é necessário muito para te sentir mais perto.
Escreve-me quando o teu céu parecer escuro, quando os dias estiverem vazios, não esperes pela tarde... se tiveres vontade de chorar, gritar ou de falar... fá-lo comigo sem exitar.
Escreve-me mesmo quando achares que não te vou responder de imediato, escreve-me quando estiveres a sentir-te só e escreve-me quando sentires a minha falta.
Eu, vou estar sempre contigo - incondicionalmente.
E, mesmo que não tenhas nada em concreto para me dizer, não te preocupes... eu saberei entender.
Escreve-me mesmo quando achares que não aguentas as saudades e quando elas mais apertarem. Pega no primeiro rasgo de papel que encontrares, na primeira caneta e mancha-o de tinta fugazmente. Eu espero para poder ler, espero sempre e para todo um sempre - desde que me escrevas. 
Tropeço de ternura por ti,


Telma Palma


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

310. Opinião

Tenho andado sempre dentro do ninho.
Sou a prova de um Mundo a duas velocidades...a que não nos deixa parar e desistir e a que nos faz enfrentar e acreditar. Tenho doses de boa disposição no corpo e na mente. Tenho tempo, muito tempo ainda.
Sou uma espécie de edição limitada, um núcleo de coragem com excesso de confiança... Às vezes, nem sei fazer as coisas, chego tarde... mas sou para sempre!
Tenho prioridades, tenho sonhos e ambições.
Quem me conhece tem a obrigação de saber sempre um bocadinho mais do que eu de mim, procuro o perigo, algo estável, sou intolerante à frustração e ao medo.
Tenho um anjo que me protege, que me guia e que me ajuda. Tenho uma amiga, mais do que irmã - que sempre me diz para não dar tanto aos outros.
Dedico-me demasiado, sei "vencer" sozinha e não preciso de bate papos para ser alguém. 
Há quem me leve demasiado ao pé da letra, há quem me julgue pelo que não conhece e há quem me odeie sem razão. 
Para alguns estou no topo, para outros sou o topo e para alguns já desci. 
Sou diferente por diversas razões... todas as noite durmo no céu, voou de sonho em sonho e planto boas vibrações. Ressuscito todas as manhãs, passo dias ainda a sonhar e noites a reflectir.
Muitas vezes preciso que cuidem de mim, que me abram as portas dos bastidores e que me guiem até ao palco. Antes de querer ser feliz com alguém, aprendi a ser feliz comigo sozinha, quanto menos me importo mais feliz sou e aprendi que ser simples é ser incrível. 
O impossível é uma questão de opinião


Telma Palma

sábado, 22 de dezembro de 2012

309.

(...)
Os "intervalos" eram feitos a partir da uma. Era dada atenção à entrada e saída das pessoas. Nós, não estávamos autorizados a sair fora de horas muito menos durante a noite. Já eu, no segundo dia de passagem... teimava em não dormir e vir ver a multidão para a janela, no lado de fora do local autorizado.
Havia muitas pessoas, de branco e azul.
Fiz muitos amigos e amigas e lembro-me de pedir para não saírem de perto de mim.
Tinha medo de estar ali. 
Quando a noite chegava e a mãe se ia embora, eu sentia-me só. Lembro-me de pedir várias coca colas e de comer uma tablet da milka em menos de 10 minutos.
Tinha os sonos trocados, tinha uma dose de  adrenalina duplicada ou até triplicada. Não podia ouvir música - podia escrever.
Dormir era impossível, não só por mim mas também pelo ruído que se fazia ouvir ao fundo do corredor e dentro do quatro.
(...)
Quando a mãe saía... as minhas grandes mulheres do meu quarto quase que uivavam de desespero, de dor e de alguma ansiedade. A D.******, era de olhão, gritava toda a noite, ofendia a menina da bata branca e por fim, dava-lhe concelhos sobre a vida... eu ria- limitava-me a ouvir todas as histórias, à espera que amanhece-se novamente.
(...)
Quando a sentia chegar perto - de mim, claro- fingia dormir profundamente. Por breves momentos conseguia calar a sua sede de invadir-me e deixava que pairasse no ar uma profunda paz. Quando voltava para a breve visita lá me espetava com a seringa na barriga - depois, depois eu chorava.


(...) Continua...

Telma Palma


domingo, 16 de dezembro de 2012

308.

De quem é a culpa?
Não existem culpados, existem pessoas que não se conhecem, que nunca se viram e olharam ou que somente passaram por nós numa esquina.
Conquista.
Conquista dia-após-dia, faz o jogo da cintura para manter a atenção do olhar dele(a). 
Não mintas, tudo isso atrapalha... o mais simples pode tornar-se na gota de água. Mentiras nunca dão certo.
Podes ser grosseiro(a), mas terás que saber dar argumentos, expor e impor a tua posição, opinião e conceito. 
Sabes, as pessoas gostam da distância, têm medo de dividir o seu espaço e mesmo afastadas, vivem dias de angustia, sofrimento... porém mantém-se afastadas contentando-se somente com o sonho e com o que poderia ter sido. As pessoas não lutam e deixam que os seus medos imperem. 
Ser egoísta é a prova de morte. 
Não podemos reinar sozinhos no Mundo!
Falar de relacionamentos nunca foi o meu forte, mas este exige boa vontade de ambas as partes, aceitar os erros e acertos, tentativas, conquistar a cada dia, pensar em ambos... faz parte do bom relacionamento entre dois organismos, entre duas fontes primárias. 



"Segura a cintura dela, puxa-a para o teu colo, tira fotos com ela, marca sair com ela e com os teus amigos juntos, ri-te com ela mesmo que nao tenha graça, discute com ela quem ama mais, abraça-a por tras, diz-lhe o quanto ela é linda e o quanto amas o sorriso perfeito que ela tem, beija-a na frente de raparigas que tu conheças, manda-lhe mensagens á noite a dizer que sentiste falta dela, diz-lhe que é a unica que faz o teu coraçao bater mais depressa e mais devagar ao mesmo tempo "


Telma Palma

sábado, 15 de dezembro de 2012

307. Relações


Tal como as escolhas, as relações são feitas de opções, preferências e gostos próprios. São produto vivo, matéria viva e para que tal aconteça são necessárias pelos menos dois.
Eu, tal como a maioria do senso cumum, sonho e tenhos estados bem defenidos de como para mim tudo funciona ou deveria funcionar.  
Ao criar uma relação, seja ela qual for, opto por seleccionar o que acho importante ter em conta, o que realmente deve ser sentido e vivido e de como as coisas deveriam ser sentidas.
Todos temos defeitos, muitos vivem ansiosos e ficam irritados vezes e vezes sem conta, mas não se esquecem de si nem do que o outro pode sentir.
Funciona comigo uma das maiores empressas do Mundo, Comigo e com todas as pessoas que sabem sentir e por vezes não posso evitar que com certas atitudes e pessoas ela não vá à falência.
Ser feliz é não só reconhecer que vale apena viver mas também ver como o outro é feliz com a nossa existência.
Apesar de tudo, de tantas discuções, maus entendimentos e zangas quem nem lembram o arco da velha... ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da sua própria história.   
Ao contrário das tais relações, eu sei falar de mim prórpia em voz alta, sou capaz de encontrar um oásis no fundo da minha alma e tenho coragem para saber quando devo parar. Chama-se segurança para ouvir e aceitar críticas. 
Com o tempo, aprendemos que errar é humano, que todos nós erramos e que às vezes mesmo certos temos que baixar a cabeça e saber pedir desculpa, perdoar e ajudar. É preciso saber ouvir o que as outras pessoas têm para nos dizer.
Mas, não querendo fugir ao tema, a relação de que vos falo deveria ter dois palmos de testa, mudar, crescer - não pelos outros mas por si mesma.
Educar para crescer!
Sempre gostaste de me queimar os bigodes, de me fazer trinta por uma linha e por tentar impor a tua posição mesmo quando não a devias... mas sabes, o meu conselho é foca-te naquilo que realmente é importante porque da minha vida trato eu e a tua deves tratá-la tu. 


Telma Palma

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

306. Ser simples é ser incrível

"Naquela noite,enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.
Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Porquê?" Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.
Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.
Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.
No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.
Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e volteia dormir.
Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.
Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.
Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio", disse Jane em tom de gozação.
Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.
No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito,eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha
envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela.
Por uns segundos,cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.
No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior como corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.
No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.
Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.
A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.
Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo.
Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.
Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas.Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras:"Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".
Eu não consegui dirigir para o trabalho... fui até o meu novo futuro endereço,saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia... Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe Jane. Eu não quero mais me divorciar".
Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe,Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.
A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.
Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".
Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama, morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.
Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!"